Terça-feira, Maio 22, 2012

É

Te peço mais um gole,
Negocio nossa noite.
Dentre tantas doses,
A verdade salta.

As palavras exagereram,
A voz não enaltece o real sentido.
Barganhas meu silêncio,
Pela dor do que se há para ouvir.

Despejo litros de sentimento,
Me arrasto até você.
Persuadido pelo ímpeto das três da madrugada,
Revelo o que não é segredo.

Segunda-feira, Maio 07, 2012

Faísca

Na tarde de hoje, quando nos abraçamos,
Seguindo caminhos tão distintos,
Lembrei daquela noite que, quando ainda distantes,
Eu te pertenci e só você sabe.

De como burlávamos os sentidos,
Injentando ilusões nos nossos corpos.
Enganando o óbvio, te embebedava de indiretas,
Você desviava, mas teu olhar estava preso a mim.

Quando não controlávamos as vontades,
Quando conversávamos horas nas madrugadas,
Contando dos desencontros e dos motivos pelos quais estávamos longe,
Assim a madrugada seguia, com as promessas de encontros, até hoje...

Hoje, dividindo um café e trocando tragos do teu cigarro,
Teu olhar me encabulava, depois de tanto.
Como se tivéssemos 17 minutos para (re)viver tudo:
o beijo que habita nossa vontade, o toque da tua pele que nos ascendeu.


Quarta-feira, Abril 18, 2012

Reticências

No começo da tarde, quando despertamos,
Ainda confundindo as lembranças da noite passada,
Tu me abraça, calado, sussurando teus segredos.
Te respondo com um beijo, antes que nos desprendêssemos.

Assim, nos vamos, leves...
Buscando mais tempo, atrasando os relógios.
Quando as palavras ditas permanecem pairando no ar,
Nos convencemos de ficarmos uma ou duas horas mais.

Quebramos as fechaduras, nos entregando.
Como uma folha em branco, nos pintamos como queremos,
Desenhando desejos e dissimulando as vontades.
Bebendo da garrafa do efêmero, ébrios de possibilidades vazias.

Fomos, naquela última noite
Fingindo despertarmos juntos,
Enganando nossos corpos, que ardiam,
Naquele enlace que custou a se quebrar.

Terça-feira, Março 13, 2012

Noite

Quando o frio encharcou nosso quarto de silêncio
Eu absorvia teu corpo, escutava tua vontade.
Você me mapeava, de forma descuidada.
Quando as luzes se apagaram pude te ver.

Teu corpo cansado buscava mais,
E eu te tinha ali, no chão,
Acolhido pela penumbra que nos restava.
Teus olhos fechados, dois ou três sussurros.

Nos distanciávamos com o amanhecer,
Desviando o olhar, nos vestíamos.
O corpo aos poucos recuperava os sentidos,
Não deixando espaço para nenhuma palavra.

Teu sorriso me convidava,
As horas não nos permitiam.
Te vi descendo as escadas,
Na minha cabeça tua voz ecoava.

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

Esvair

Não sei se o que sinto vai se diluir com o tempo.
Se vai mudar, diminuir ou crescer.
Aparentemente permanece intacto,
Desprezando o físico, o tempo e o curso dos dias.

Involuntariamente vou repelindo possibilidades.
Os outros não têm o mesmo.
Aquela canção insiste em tocar aleatoriamente,
Nos dias certos.

O que tenho parece suficiente, ao menos por esses dias.
Saber o que se sente não implica em saber como lidar.
Todos sabemos o que vemos quando fechamos os olhos,
Ao abri-los talvez não saibamos para onde olhar.

O entardecer me carrega...
A noite me prende, espero pelo púrpura da madrugada...
Vamos caminhando juntos, em pensamento.
É quase um romance.

Terça-feira, Janeiro 17, 2012

Querer

Quando os gigantes viram pequenos pontos,
Podemos discernir seus verdadeiros tamanhos.
E nisso vamos acumulando momentos, nos quais,
Mesmo rodeado de tantos, ansiamos pelos nossos.

Nesses poucos dias, percebo o que me leva,
O que dá vontade de ter mais, de viver mais.
Colecionar memórias, melodias e entardeceres.
Ser encantado por outros e aos poucos encantar.

Deixar palavras soltas, palavras nunca ditas,
Outras nunca ouvidas...
Se perder dentre tantas cores, tantos reflexos.
Guardar um ou outro dia trivial.

Cuidar e catalogar tudo, que é tanto...
Tentar lhes trazer para onde eu estive,
Lhes sussurar o barulho daquele dia silencioso,
Lembrar que mesmo longe, estivemos juntos por aí.

Quinta-feira, Dezembro 08, 2011

Beira

Na inconsequência nos desprendemos.
Voltamos e fomos aos nossos dias,
Relembrando pra criar um momento, nosso.
Persuadidos pelo o que não se tem.

Te incito a provar do mesmo gosto,
Você provoca, balbuciando duas ou três palavras vulgares,
Me conduzindo, arrastado, ao nosso entrelace.
Dividindo incertezas, nos rendemos.

Vão ser nesses dias que nos reencontraremos,
Quando estivermos sorrateiros,
Na calada de uma tarde qualquer,
Quando/Se a vontade passar.

Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Três

Pode-se dizer descontruído, talvez.
Entregue a si mesmo, destemido.
Desnudo, defronte ao espelho,
Encarando o seu reflexo, ainda embassado.

Dissolvido em palavras,
Que, por tanto guardadas,
Carregavam em si a dureza de outros dias,
Os passos tortos que demos por aí.

Tentando encontrar ali
Aquele teu sorriso, tua vontade,
Teu andar desinibido, cheio de si.
Tua naturalidade que hoje é encenação.

Todos fraquejamos.
Hoje, amanhã ou ontem.
Deixamos-nos ser invadidos pelo erro.
Encantados pelas distrações de uma fuga facilitada.

Fingir, especular, denegrir...
Tentando, da mesma forma, escapulir.
Quanta tolice, devaneios.
Não se pode fugir de si mesmo.

Quinta-feira, Outubro 27, 2011

Deixo

Tanto esperei, em vão...
Esqueci de quem era a razão,
Para te ter mais perto,
Para deixar passar.

Não se afunde tanto,
Nem force o clichê.
Desafogue suas mágoas,
Abra os olhos e descarregue.

Você não sabe, finge.
Num ímpeto, se infla,
Em cima de pernas bambas.
Exasperado por si só.

Não me tentes com estes teus olhos,
Cansei do mesmo, infelizmente.
Do teu texto ensaiado, encharcado...
Silencia meus erros e escute os seus.

Sexta-feira, Outubro 14, 2011

Teu

Desfaço-me dos pudores que restaram e,
Esparramado dentre o silêncio vespertino,
Deixo você entrar.
Arrasto, pausadamente, por todo o corpo.

Sinto teus sussurros no pescoço
Tentando me convencer a ficar mais,
Te trago mais perto, te envergonhando sutilmente.
Você fecha os olhos e nos perdemos.

Caminhamos, ensaiados, ao nossos picos
Donde saltamos leves, desprovidos de tanto...
No escuro só pertenço a ti,
Entrelaçado, sem amarras.

Estendo minha vontade,
Admito teus dias errados.
Aqui estou eu,
Para você.

Terça-feira, Outubro 04, 2011

Antes

Quando somente um olhar me desmontava,
E eu ia pertencendo aos teus braços.
Tudo se engrandecia misturado ao mais ingênuo sentimento,
Me entregava à grandiosidade dos finais de tarde.

Talvez embalado pelos poetas, pelas melodias...
Por poder me despir inteiro para você,
Ir experimentando tuas nuances.
Por confabular impossibilidades.

A ilegalidade dos nossos encontros,
Legitimada pela minha doce inconsequência,
Temperava no coração, aquele grande amor,
Quando se clamava pela dor de amar.

"Deixo que as águas invadam meu rosto"
E eu ia me perdendo, naquele frio jamais experimentado
Supondo tanto, querendo...
Era só aquilo.

Guardado como devia.
Um dos capítulos mais bonitos,
Onde tivemos o necessário,
Para que, ainda hoje, você esteja nessas palavras.

Sexta-feira, Setembro 09, 2011

Descoberto

Queria te levar daqui,
Fugir de tantos olhos...
Deitar debaixo de uma árvore,
Te tragar em mim.

Nos esconder no escuro,
Onde eu possa mapear teu corpo,
Traçar minhas trilhas,
Me perder e por lá ficar.

Observar teu despertar,
Saciar tua fome.
Desfazer a mala uma única vez,
Me entregar inteiro.

Depois de tanto, deixar alguém segurar minha mão,
Caminhar de pés descalços,
Sussurrando vontades no teu ouvido,
Trançar tuas pernas nas minhas.

Te observar, sem graça,
Desviando o olhar.
Deslizar entre teus cabelos bagunçados,
Sentir teu corpo estremecer.

Te deixar ficar,
Enraizado em mim,
Colorindo, embalando as noites.
Partamos...

Quarta-feira, Agosto 31, 2011

Movediço

Eu acabo assim, fugindo de mim mesmo.
Do que muitas vezes me levo a supor,
Desse ou daquele detalhe, que cresce repentino,
Despercebido por qualquer outro.

É que, quando você chega perto,
Os disfarces se desarmam,
Meu pensamento desorienta.
Clamo por te ter em mim.

Tento não afundar nessa vontade,
Nesse teu olhar dúbio,
Do teu cheiro impregnado nos lençóis
Naquele fim de tarde...

Quanto mais me afasto, tu me vem,
Despretensioso, com os passos ensaiados.
Me esquivo da tua pele,
Desses teus encantos.

Nessa incerteza, vou confundindo os dias, nas noites.
Vou relendo todos teus sorrisos,
Lembrando dos teus convites,
Sucumbindo diante de ti.

Quinta-feira, Agosto 18, 2011

Talvez

Quem sabe, estejamos confundindo,
Misturando tantas coisas...
Tu me chega todos os dias,
Já suponho possibilidades.

É uma expectativa que não cala.
Ignoro os sinais para te ter mais perto,
Tu me chama, inconsciente de tudo.
Eu vou, sabendo o que me espera.

Os avisos ecoam e eu continuo,
Nessa intenção, despretensiosa,
Eu fico, te observando entre tantos...
É esse teu sorriso.

Não entendo porque me buscas,
E, quando me convenço do contrário, você vem.
Incessantemente, perturbar a calmaria.
Continuo me entregando.

Sexta-feira, Agosto 05, 2011

Vou

Acordei lembrando das nossas fugas,
De como os confundíamos...
Um sorriso no canto da tua boca
Era o bastante para nos perseguirmos.

Como maquiávamos as vontades...
Por acaso eu te encontrava por aí,
Você driblava tantos e parava ao meu lado.
Burlávamos tantos sentimentos.

Dos poucos beijos,
Ainda prefiro o que está por vir...
Eu ainda percebo como teu olhar me segue,
Você sabe que minha pele ainda procura a tua.

É mais fácil resistir a tanta coisa,
Enganar qualquer libido,
Fingir qualquer atração,
Do que negar esse querer que arde.

Domingo, Julho 31, 2011

Domingo

Acordo num súbito.
Procurando-te aqui,
Me encontro noutro caminho.
Escrevendo cartas a você, adormeço.

Nos devaneios matutinos confundo teus rostos
E me pergunto quanto tempo ainda nos resta.
O corpo exausto de tanto correr,
Clama por um intervalo.

Tudo se baseia nessa fuga infundada.
O tempo vai nos diluindo,
Deixando para trás o escarlate de outrora,
Vamos nos privando.

Segunda-feira, Julho 18, 2011

Chuva

Estava ali em silêncio,
Esperando que, talvez, você lembrasse
De todos os planos,
Dissolvidos numa despedida intermitente.

Nada foi dito.
Seu olhar é que ainda foge do meu
Qualquer aproximação seria exagero,
O que nos cabe é a distância.

Na minha pele ainda estão resquícios
Das tuas tintas e das inseguranças,
Das mentiras que o vento já levou,
Do que, hoje, não significa o mesmo.

Que culpa temos de ter amado tanto?
De nos perder nesse sentimento?
Deixemos que as lembranças fiquem,
Afinal, é só o que resta de nós dois.

Segunda-feira, Junho 27, 2011

Convite

Fica mais um pouco.
O tempo que der pra eu conhecer tuas cores,
Aproveitar esse teu sorriso bonito,
Tentar trocar duas ou três palavras.

Deixa eu tentar te encantar,
Te levar um pouco pra longe,
Descobrir o que te faz chorar,
Bisbilhotar teus desejos.

Me conta uma idéia que deu certo.
Não vou me incomodar se você sorrir um pouco mais.
Se tiver sorte, posso até segurar tua mão
Ou olhar no teu olho, em silêncio.

Deixa eu me aproximar
Me permita chegar mais perto,
Te fazer sorrir.

Ah, que sorriso...

Sexta-feira, Junho 24, 2011

Madrugada

Dentre tantas sombras,
Me encanta tua luz
Discreta, que rasteja devagar,
Sublime, mas pontual.

Como uma metáfora pronta
Me enche a cabeça,
Sejam pelos romances embriagados
Ou pela saudade que dá calafrio.

Me apaixono pela sua cor de desejo
Dentre tantos perdidos, confundidos pela sua lábia,
Temos aqui, você:
A amante que dá e que tira.

Segunda-feira, Junho 13, 2011

Vírgula

Entrego-me aqui.
Não sei mais por onde ir
E, mesmo facilitar, atrapalha.
Noite confusa.

Duas ou três palavras,
Ciúme infundado.
Do que quase tivera
Durante algumas mentiras.

Não pretendo continuar aqui.
Muitas verdades não existem mais.
Uma reclusão parece mais atraente.
O costume se perdeu.

As certezas se quebraram,
Tudo o que me resta são dúvidas.
Deitem nas suas vergonhas.
O amanhã não garante nada.

Quarta-feira, Junho 08, 2011

Segredo

Termino o dia digerindo meus medos,
Perguntando-me quanto vai durar,
Se o vento vai carregá-los,
Se devo continuar...

Queria você aqui,
Para fingir que tudo corre bem,
Apagar os detalhes omitidos,
Acordar ao lado do que não se tem.

Nos iludimos conscientes,
Direcionados a fechar as portas
Que, entreabertas, só confundem
Lentamente, elas se perdem.

Percorremos as noites
Tentando, em vão, vencê-las
Carregando as memórias nos bolsos
Sorrindo, entre lágrimas, do nosso amor.

Somos só eu e você.
Todos esqueceram do que importa,
Tentam nos afogar numa falsa realidade
Nos acorrentando aos valores errados.

Mas eu sei o que nos prende:
Nós sabemos a verdade.
Que, nunca nos foi contada.
Um final é incoerente.

Não se perca na distância
Não se permita duvidar.
Eu me faço teu
Da forma mais bonita que há.

Domingo, Junho 05, 2011

Todo

O vento deslizando no rosto,
Os olhos fechados e o pensamento longe.
Sopro daqueles dias que já foram...
Perdido no insistente silêncio.

Nos encontramos no erro,
Naquela faísca que persiste,
Nas vontades arrancadas...
Dissolvidos numa dúvida.

Procuramos o que é incerto
Para confundir as certezas,
Embebedar-nos de vontades
Num baque pausado.

Na nossa despedida diária
Renovamos os votos,
Reafirmamos o sentimento
E tudo recomeça.

Terça-feira, Maio 24, 2011

Amor Nº1

O amor, ou o que pensamos ser,
Confunde, atordoa e suga
De uma forma sorrateira,
Mas longe de ser discreta.

Planta uma semente,
Que, rapidamente,
cria raizes fortes
E que é regada por motivos ainda desconhecidos.

Sem aviso, nos floresce
O coração que palpita, a pele arrepia,
A cabeça se distrai,
Os pensamentos se perdem.

Os sorrisos se fazem mais presentes,
As lágrimas também, por que não?
O mundo vira um clichê romântico
Os dias ficam mais bonitos.

Exageros à parte,
Escrevo hoje aos meus amados,
Nessa tarde, onde sozinho,
Sinto vocês aqui.

Essa eterna vontade de ter perto,
Seja para falar dos desamores
Ou apenas para ficar em silêncio,
Quando tudo é dito apenas no olhar.

Aos meus queridos amigos,
Agradeço pelas doses diárias,
Pelos momentos passados e futuros,
Pela reciprocidade,
Por termos cruzado os mesmos caminhos.

Quarta-feira, Maio 18, 2011

Breve

Deter a sofreguidão de te trazer até aqui,
Admitir que os fatos distraem das vontades.
Acima de tudo que pensamos saber,
Existem paredes que nos impossibilitam.

Talvez ainda estejamos em linhas tortas.
Perambulando inconscientes,
Retornamos à antigos lugares,
Buscando sentir algo já perdido.

Ainda pensamos como dois,
Resgatando vícios adquiridos há muito,
Trazendo lembranças de outrora,
Nos desfazemos no vazio existente.

Encontrei, dentre tantos devaneios,
Um lugar tranqüilo, longe do amor pretérito.
O que me despertas hoje
É somente inspiração, para contar histórias inventadas.

Terça-feira, Maio 03, 2011

Sede

Acordo ainda com teu gosto na boca e,
Confundindo as lembranças, me arrasto indolentemente.
O corpo suado, tomado de desejo,
Clama por ti, suplicando teu toque.

Deito e deleito-me sobre você
Escorregando entre teus sussurros.
Me vejo entregue às tuas vontades
Tornando-as as minhas próprias.

Decifro tua libido,
Ligo teus sinais,
Que me levam até você,
Um a um.

Tateando possibilidades,
Numa noite cheia de incertezas,
Te ofereço meu olhar.
Numa euforia contida, despeço-me,
Esperando um novo encontro.

Terça-feira, Janeiro 25, 2011

Forasteiro

Você que me é estranho,
Que trocou apenas dois olhares
E uma dúzia de palavras, contidas e espaçadas.
Que, num dia comum, impregnou meus pensamentos
Sem motivo aparente.

Existe algo, nesse teu jeito calado,
Quase indiferente, que me suga.
Me faz querer chegar perto,
Mesmo que só pra encostar meu braço no teu.

Talvez a intelectualidade discreta,
Ou o sorriso bonito, que aparece de vez em quando.
Questionamentos que não passam de hipóteses,
Uma vez que, nem ao menos conheço sua voz.

Quarta-feira, Janeiro 05, 2011

Tenho

Te espero sorrindo,
Talvez por não querer que voltes.
O amor é mais bonito quando idealizado.

Ainda assim, consciente, te desejo
Quase como obrigação.
Me parece, algumas vezes, que
Querer é mais importante que ter.

Assim, continuo te esperando,
Sem motivos aparentes.
A espera me conforta,
Pior seria não ter quem esperar.

Quarta-feira, Dezembro 01, 2010

Boa noite

Todos os dias,
No fim de tarde,
Vou passar pela sua porta, sorrateiramente,
Sem fazer barulho.

Te deixarei uma flor e um poema
Pra que tu se sinta amado
Pra ser sempre lembrado,
Mesmo que distante,
Do meu querer.

Te vejo de longe,
Com o rosto surpreso
Procurando, em vão, o tal remetente
Mil pensamentos te consomem.

Espero que, antes de dormir,
Quando deitar na cama,
Com os olhos quase fechando,
Você lembre das minhas palavras.

E quando os sonhos chegarem,
Você vai estar com um sorriso aberto,
Pensando em mim ou em outro amor
Me conforta apenas te fazer sentir bem.

Segunda-feira, Novembro 15, 2010

Iminência

Me tem sido recorrente
Aqueles milésimos de segundos, naquela noite
Quando de repente teu olhar era só meu,
Me convidando a ficar um pouco mais.

Minha resposta foi silenciosa,
Me debrucei sobre você,
Fechei os olhos e me deixei à deriva
Sem pretensões maiores.

Os pensamentos se dissipam
O corpo age por si só,
Se arrastando calculadamente em direção ao seu
As peles inebriadas se buscam...

Subitamente, paramos,
Sorrimos e percebemos que
O que nos resta, é calar a vontade.

Sexta-feira, Setembro 17, 2010

Escarlate

Me pego em pensamentos distantes
Me perguntando onde pode estar aquele sentimento
Dos dias que a gente lembra com um sorriso no rosto
Que não se pode descrever

Na memória, as cores são mais bonitas
Ou talvez únicas, como se naquele momento
O mundo tivesse mudado de cor
Pra que aquele momento fosse guardado pra sempre.

Lembro-me de uma cena, que passa devagar na cabeça
Um movimento lento, que me leva a tantos outros lugares, outras pessoas
Chego quase a sentir o cheiro da chuva caindo,
De como eu te olhava nos olhos...

Só nos restam esses fragmentos de saudade
Daquele dia que não volta
Dos abraços dissolvidos no tempo
De tudo que foi.

Sexta-feira, Setembro 03, 2010

Não

Devoro-te em pensamento
Toda a tua liberdade despretenciosa me envolveu
Me encantava teus olhos fechados
Me vem um turbilhão.

Era como se, naqueles dias, o tempo corresse diferente
Tuas histórias me tiravam do chão
Mesmo que se resumissem a pequenas frases
Como se ouvesse uma certa timidez disfarçada.

Tão efêmero quanto um amanhecer
Nos despedimos num fim de tarde,
Sem pretenções ou dúvidas
Simplesmente trocamos um último olhar.

Deixemos assim,
Esses momentos colorem o imaginário
Nos enchem de metáforas
E por mais perigosas que elas sejam,
Eu sorrio.

Tudo fora premeditado,
Nós deveríamos ser breves.
Assim foi decido,
Nesses dias de desencontros.

Era suficiente...

Quinta-feira, Julho 22, 2010

Silêncio

Penso em todas as coisas que poderiam ser ditas
Nas histórias, as idéias,
As saudades, as lembranças
Nada, de fato, vem até mim.

Lhe dou uma ponte,
Que nunca é cruzada.
Insisto na quebra,
Mas, o que te convém, é andar no mesmo caminho, talvez o mais longo.

Imagino qual seria sua primeira palavra,
Quem sabe uma frase...
No final, não ganho mais, do que a palavra
Que nada tem a dizer.

Quinta-feira, Julho 01, 2010

Amanhã

Quando o amanhecer voltar a ser dourado,
Quando teus olhos enxergarem púrpura
O nosso Bonde vai passar.

Nesse dia, como que por acaso,
Nos abraçaremos e as mágoas vão dissolver.

Falaremos sobre aquela tarde, lembraremos de músicas e filmes.
Tomaremos um café e, entre um cigarro e outro,
Teu sorriso vai se abrir, como em outros tempos.

Só te farei sentir bem.
O tempo se encarregará de só guardar as boas lembranças.

Falsete

Ainda é estranho te ver longe,
Mesmo quando o sentimento se diz distante.
Te sinto dentro de mim,
Como se nada tivesse mudado.

É estranho te imaginar ao lado de outro alguém
Uma vez que meu corpo ainda te sente,
Mesmo que na sala ao lado
Todos os dias.

Me perco nesse labirinto,
Nessa confusão de vontades...
Nesse querer, não querer, imposto,
Nada mais me atrai.

Sonho com teu sorriso junto ao meu
Naquele amanhecer dourado, que hoje se mostra tão longe.
Os desejos à flor da pele,
Vem aqui...

Terça-feira, Junho 22, 2010

Analogia

Quando perguntado sobre o que era o amor
Simplesmente não encontrou palavras
Ultimamente só conhecia o silêncio
Quebrado apenas por conversas curtas

Tentava encontrar, nos amores inventados
Alguma forma de conforto
Na sua cabeça, sentimentos não têm fim
Talvez alguma bobagem que leu em algum lugar

Que culpa tinha se os outros não lhe conquistavam o olhar?
Buscava apenas um momento pra respirar
Queria tirar um peso de si mesmo,
Que as feridas fechassem.

As tardes confundiam os sentidos,
Mesmo que, como já sabia,
Não havia mais como pensar naqueles dias
O tempo já os levou pra longe.

O que lhe confunde, é seu deslumbramento
A nostalgia que o faz olhar sempre pra trás
Pra ele, o passado se faz presente
Colorindo seus dias sem cor.

Quarta-feira, Maio 12, 2010

Penumbra

Estávamos ali, os dois
O ar tornara-se denso,
Quase como uma névoa, que nos envolvia,
Confundia os sentidos e as vontades.

Nos olhávamos fixamente
Como se ordenássemos uma inércia.
Conversávamos com o olhar
E, como se obedecêssemos uma lei tácita,
Nos despimos.

Tinha agora somente um corpo à minha frente
Era como se me olhasse no espelho.
Aquele corpo, de alguma forma, me pertencia
Isso era suficiente.

Não precisava de carícias, nem de sentir sua pele
Seu olhar era de pecado
E, seu corpo nu, me inebriava de desejo.

Terça-feira, Abril 27, 2010

Imaculado

Permaneço numa fuga ensaiada,
Um querer não ter perto, por estar longe.
Fazendo com que as vontades se percam,
A razão tem que se fazer maior
Ao mesmo tempo que o sentimento transborda.

O julgamento precipitado cabe na hipocrisia de cada um.
Tantos caminhos para o mesmo fim,
As palavras acabaram,
Junto com argumentos, justificativas e afins.

Torna-se quase como uma penitência.
Um caminho longo.
Que leva, ao menos imagina-se,
Para um lugar melhor.

Espera-se que cada um encene um papel.
Mas é vida real,
Não há heróis e vilões.
Há responsabilidade
E cada qual com a sua.

Não há espaço para se apontar dedos,
As decisões tem sempre um precedente.
Um motivo, por mais infundado que seja.

Reservo-me ao direito de permanecer assim,
Até que, se nos encontrarmos,
Um segundo capítulo será escrito.
Enquanto isso, o amor fica assim...

Quinta-feira, Abril 01, 2010

Antônio

Me peguei pensando em você
Naquela manhã, o céu nublado
A porta aberta,
Você me olhando

Queria te abraçar
Te contar meus sonhos
Saber dos teus
Andar por aí,
Tomar um café

Imagino teus cabelos já grisalhos
As primeiras rugas,
Mas o mesmo olhar,
A mesma força

Que saudade...
Minha inocência me fez perder detalhes
Não lembro das tuas músicas,
Dos teus gostos, do teu cheiro...

Te conheci pelas lembranças alheias
Pela saudade de todos
Por todo o sentimento que você espalhou
E que ainda está aqui

Ainda assim, eu lembro:
Naquela manhã, o céu nublado
A porta aberta,
Você me olhando.

Isso já me basta
Me faz te sentir aqui
Ao meu lado, me olhando.

Sexta-feira, Março 26, 2010

Balela

Chega de peito inflado
Declamando o seu porquê plural
A língua confiante
As certezas gritando

Uma verdade baseada no medo
Andar perdido,
Se segurando nas filosofias mais infundadas
Clamando por auto-afirmação

Morde a língua
Se afoga numa hipocrisia movediça
E se mostra mais desorientado
Olhos vagos
E a mesma atitude vazia

Sua revolução barata não depende de quem está ao seu lado
Mas do teu despertar,
De um passo firme.

Segunda-feira, Março 22, 2010

Atemporal

Olhos atentos
Tudo à flor da pele
Pensamento perto
A busca é sorrateira,
Só não se sabe bem o que se quer

Um passo firme no escuro
Tateando pessoas
Vontades aleatórias
Tudo ao mesmo tempo

Olho no espelho ou ao meu redor?
Atitudes dúbias
As margens se multiplicam
E te levam para um abismo
De dúvidas (e certezas)

Quarta-feira, Março 17, 2010

Nosso

Às vezes me falta um beijo
Daqueles que nos faz fechar as portas para o mundo
Que nos embriaga,
Nos envolve numa atmosfera particular

Aquele que pertence só a dois
Que é carimbo de um sentimento
Que nos faz querer parar o tempo,
O que torna o físico abstrato

Não é ensaiado,
Nem premeditado
Simplesmente, por algum motivo,
Ele é.

Sábado, Fevereiro 20, 2010

Desordem

Nunca entendi bem essa obsessão
Essa vontade que surge
Sempre que te tenho perto
Desse jeito, desde quando te roubei o primeiro olhar

Eu era teu, você sabia
Insistimos no contrário por teimosia
Acabamos por nos encontrar
Inconscientes

Já não me importo de me fazer presente
De me enfeitar pra você
Nem de sentir teu cheiro em mim
O material se torna banal
Não me importa a coerência,
Nos pertencemos.

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Dois

Meu sentimento, com o tempo, torna-se uma antítese
Desejo ter perto, como desejo distância
Quero que você me queira
Como espero não mais querer-te

Quero te prender em mim
Mas não quero te ver
Cansei de pensar em você
Mas escrevo, como uma forma de ter aqui

Quando saio, torço pra te encontrar
Se por acaso vejo, fujo
Eu sei o que sinto
Só não sei o que vou sentir depois

Tudo muda, eu mudo
Você muda
Estamos nos perdendo
Ou ganhando uma outra possibilidade?

Perguntas sem respostas
Não sei se esqueço
Ou se devo lembrar
Espero uma definição
Um ponto final.

...

Uma virgula?

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

Estação

Subo no Bonde
Despeço-me daqui
Do meu lugar favorito
Que talvez não seja mais pra mim
Que eu não pertenço
Que não me deixa ficar

Despeço-me por mim
E, principalmente, por ti
Que hoje me mata
De saudade
Que me faz amar um amor que não cabe em mim

Eu fujo, sim, fujo
Fujo por me perder em você
Por sentir os passos pesados
Pelo constante penar

O Bonde segue viagem
Se mistura na tarde púrpura
Se perde na noite escura
Esperando o amanhecer
Onde eu possa, de longe, te olhar de novo

Terça-feira, Dezembro 22, 2009

Vermelho

Vem, com pretenção e malícia
Com um sorriso no canto do rosto
Rouba meu ar, me tira do chão

Éramos destinados um ao outro
Tudo fora arranjado
Antes do primeiro encontro
Antes dessa vida e de tantas outras

Teu olhar me despertou
Arrancou minha inocência
Atiçou meus instintos
Me prendeu em ti

Minha mente beirava na tua
Nossos lábios se buscavam incessantemente
Mas sempre impedidos
Por um motivo ou por outro

Hoje, me embebedo do teu sabor
E já não consigo sair de perto
Não vivo sem tua força
Sem tua alegria
Sem teu incansável desejo de viver mais

Te liberto para amar o mundo
Espalhar teu perfume
Para encantar
Deixar saudade

Sei que, no final
É comigo que você vai estar
Como sempre foi,
Como sempre será

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

F

Te deixo voar
Não há mais o que eu possa fazer
Quero te ver por aí
Sorrindo, com o seu sorriso mais bonito

Com brilho no olho
Se permitindo
E vivendo, tudo o que há pra viver

E

O tempo não passa
Estou só
Te procurando sempre
Sem esperança de te encontrar

Um sorriso cru
Lágrimas pesadas
Olhar vago

I

Só mais um beijo
Um abraço
Um sussuro

Queria caminhar por aí, segurando tua mão
Olhar a lua e cantarolar nossa música
Só mais um dia
Só mais uma madrugada
Só um nascer do sol

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

R

Perdemos o controle
Não existem respostas ou explicações
Gritamos coisas sem sentido
Rasgo tuas promessas

Não vou olhar pra trás
Nem pensar em tudo que foi
Te apunhalo

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

G

Algo está errado
Os dias não são os mesmos
Nos distraímos
E a realidade se confunde com os sonhos

Fugimos daquilo que aflinge
Fingimos um sorriso
E tudo parece estar certo

Quebramos espelhos
E só vemos o que está ao redor

Cure

As expectativas dissolvem ao mesmo tempo que criam consistência
Não existem mais verdades
Os dias se enchem de uma atmosfera de dúvida
Onde uma neblina insiste em pairar sobre as cabeças

Passos inseguros em direções desconhecidas
Nos perdemos num lugar
Onde não sabemos o que sentir
Ou como agir

Um peso que nos leva pra baixo
Uma caminhada lenta e sofrida
Cicatrizes que nunca somem

Esperando alguém que te leve
Para um lugar mais bonito
Onde você possa, mais um vez, deitar-se sobre o desconhecido
E aquilo, de alguma forma, te fazer delirar
Tirar os pés do chão
E sorrir, sem motivo algum

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Bilhete

Fazer desvanecer
O que já me escorre,
O que se despede
E me desencaixa.

Vejo seu caminhar lento,
O céu escurecendo a cada passo dado.
Eu cubro meus olhos.

A vida passa por mim
E sou coadjuvante
As cores se apagam
A música silencia

O Bonde passou
Você seguiu viagem
Eu me atrasei

Eu te dou o "para sempre" nas minhas palavras.
O resto vira poeira
E o vento leva.
Elas ficam.

Quando a falta gritar,
Você pode me ler,
Nos versos,
Nas brisas,
Nos sonhos,
Num amanhecer dourado.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Raiz

Ah, eu amo
Sem pretensão, sem intenção
Sem motivo
É só amor
No sentido mais puro que essa palavra pode ter

O cabelo de árvore
Os olhos de sonho
São grandes
E são únicas
Cada uma do seu jeitinho
Apaixonante
Viciante

Mas vem a saudade
Um turbilhão
Que faz a gente se perder no meio dele

Elas foram pra longe
Buscar seus sonhos
E para viver
Viver o mundo
Descobrir

Eu só queria um abraço todos os dias
Queria deitar e sonhar junto
Ver o dia nascer e se perder no meio de tudo
Queria caminhar com elas
Poder estar ali
Pra tudo

Eu amo,
Quero
E sei

Vocês fazem parte de mim
E canto minha saudade, pelos quatro cantos
Sem medo
Pois sei que nossos caminhos
São um só.

Eu amo.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Vendo

Me perdendo
Escorrendo
Sumindo

Caminho sem rumo, tentando te achar
Te sentir

Os sentidos se misturam
Numa explosão sinestésica

Desejo
Saudade
Vem

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Maciço

O que pareceu uma tarde comum
Hoje lembro com saudade
Café, cigarros, Kubrick

Deitávamos sem pretensão
O sol caía preguiçosamente
E nem ligávamos, nada importava

Ríamos e nos abraçavamos
E o mundo desabava lá fora

Minha preguiça logo cedo
Teu cuidado com os detalhes

Palavras, fotografias
O concreto que não nos deixa esquecer
Dos dias e das noites
Incrustados em cada parte do meu corpo

Terça-feira, Junho 30, 2009

Agora

Não sei por onde ir
Nem o que sentir
Um turbilhão à minha frente
E permaneço estático.

Não tenho um só minuto para mim
Sempre estou com os mesmos pensamentos
Indo pelos mesmos caminhos
Sem você.

Vazio

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Eu não sei mais
Eu não entendo
Só sinto

Uma falta que chega a ser desumana
Uma falta que atenta até nos sonhos

Tudo me falta
Você me falta
Tua paz, teu aconchego

Nada posso fazer
Só esperar que o tempo me faça aceitar
Que ele me arraste, até que eu possa levantar
E ir sozinho.
vazio.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Saudade

7 letras
Para 7 luas de amor

Eu queria poder ver teu sorriso todos os dias
Poder segurar tua mão e ter a certeza de que você está ao meu lado
Poder te sentir ao meu lado, mesmo longe
Saber que eu tenho a minha pessoa
Sentir amor a cada minuto

Andar por aí ao seu lado
Sem destino
Viver o mundo e nos permitir
Escutar tua voz logo cedo
Acordar e sentir teu calor

Nos envolver numa noite negra
E nos amar num resplandecer dourado

Estou aqui por você.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Para o infinito

"A intuição é considerada um dom misterioso conferido de vez em quando aos indivíduos pelos deuses ou pela hereditariedade, sendo, portanto, difícilmente ensinável. (ARNHEIM, Rudolf)"

Uma pausa de dois ventos
Pra sentir um fio dourado, atrás da consciência
Querer um aconchego, um abraço apertado
Sem pretenção alguma
Silêncio, por favor
Já dizia o Monte e a Viola
Solenes e pontuais

Me empresta tua pausa de mil compassos
Me faz ver as meninas, mesmo longe
Não fale, se cale

Silêncio, por favor